domingo, 6 de maio de 2012

Feito passarinho

Meu coração foi ficando leve. O frio cortante, o vento chicoteando nossos rostos, o vinho e a proximidade tentando aquecer. É tão boa essa sensação de estar em casa, o toque conhecido, os olhares cúmplices. Eu quero que fique sempre desse jeito, simples, doce. Gosto dessa delicadeza, como se tudo fosse uma canção que se canta em suspiros. Eu sou um furacão, sou toda feita de caos, e é inesperadamente delicioso viver essa calma, essa paz. É complicado acostumar, mas sinto que cada vez mais vou notando como é bom viver com asas.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Don't you hesitate.

"Maybe sometimes
We've got it wrong, but it's all right
The more things seem to change
The more they stay the same"

Ando querendo levar a vida com mais doçura. Tenho visto tanta gente com pesos, tanta gente com preconceitos, tanta gente tentando se conter. Não existe isso de se conter, especialmente no carnaval. Se você não puder ser quem você é, como vai poder ser qualquer coisa? Quero muita felicidade, muito sorriso, muita preguiça no domingo e garra pra lutar na segunda-feira. Quero mais abraços, menos cumprimentos falsos. A gente se perde nessa ideia besta do que é ou não "socialmente aceitável", a gente perde a elegância com orgulho em excesso, e a gente perde a beleza tentando ser correto. Minha vontade era avisar pra todo mundo que pra cima de mim não cola, essas arestas, essas besteiras. Vocês estão todos perdendo tempo, voltem pra casa, a vida não é pra isso. A vida é pra estender as pernas na areia olhando o mar, pra ver o vento entrando pela janela, a vida é inteira esses pequenos momentos, sem drama, sem dor, macio e poético.
Não uso lentes cor-de-rosa, eu vejo os erros, os tropeços, tenho sentimentos ruins e choro (muito). Só não quero mais pautar minha vida por esse lado. É uma escolha de cada um. A minha foi essa, e agora o que quero é me cercar de gente que queira a mesma coisa, de gente que anda com o coração antes de andar com as pernas. Tristeza é que precisa de motivo, felicidade a gente tem de graça todos os dias.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Sai. Mas sai correndo, pela porta da frente, pra todo mundo ver sua humilhação, porque aqui dentro você não fica mais nem um segundo. Arruma dentro da mala seus sapatos, vestidos, batons vermelhos, jogos e ilusões. Leva tudo isso pra bem longe de mim, porque a partir desse momento você está exilada. Não quero mais ver seu rosto irracional rindo pra mim no espelho, não quero mais sua loucura contaminado o meu sangue, não quero ser você nunca mais. Anita, isso é um adeus definitivo. Eterno. Vamos deixar bem claro que a regra sempre foi essa: você é minha criação, portanto eu te domino e nunca o inverso. E agora você vai ser o que sempre devia ter sido: um personagem num pedaço de papel.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Como é perversa a juventude do meu coração.

Acontece que nem a dor, nem os percalços, nem o frio na barriga, por fim, nem nada, nada disso importa. Porque quando sento na minha cama, de pijama, banho recém-tomado, e lembro das coisas boas - por vezes leio um livro, vejo um filme, choro e olho fotos da minha família... tem dias em que até abro um vinho e tomo porres sozinha - nesse momento tudo parece exato, preciso, cada passo tendo sido contado. De repente eu não fico tão sozinha, porque fico com as milhares de Cecílias falando alto e ao mesmo tempo. Elas não são más pessoas. Elas são levemente malucas, mas ótimas pessoas de bom coração e vontade de fazer tudo certo. Aí nessa hora esqueço as opiniões controversas que certas pessoas tecem, maldosamente, sobre mim. Lembro só do Belchior que agora canta no som.
Acontece que a música que sai do som me lembra que meu defeito maior é minha paixão visceral pela vida, e isso confunde aquelas pessoas de vontade menor, de desejos menos intensos. Eu não as culpo. Culpo, talvez, minha criação de muita liberdade e muito amor, minha família toda feita de poesia e meus amigos que abraçam minha loucura (com moderação, claro). Sabe do que mais? A partir desse momento, vou parar de me importar. Minha única doença é ter uma alma de passarinho.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Eu destruo tudo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Esperando aviões.

Apagou o cigarro com o salto da sandália, sem atrapalhar por um segundo a cadência exata de seus passos, indo e voltando no saguão do aeroporto, parando exatamente no meio do caminho para encarar rapidamente o painel brilhante. Torcia as mãos, e já havia prendido os cabelos em coque para evitar passar tanto a mão por eles. O pânico da espera a fazia apertar os lábios, sentir calafrios. Por fim, sentou-se admirando os números de voos que chegavam ou partiam, e não saia de sua cabeça que a vida é esperar eternamente e nunca alcançar, porque quando se alcança o esperado, toda uma nova gama de esperanças é traçada por nossas mentes doentias. Mas não há como negar que quando notou que o tão esperado voo chegara, levantou-se em um pulo, desequilibrando-se um pouco dos sapatos muito altos, e correu no que achava ser um passo tranquilo, até a porta onde se postou tão esperançosa quanto não queria estar.
Eu sinto falta de escrever porque sinto falta de mim. E também da Anita, e também de todas as ilusões, amores e situações que criávamos. Porque a ficção é um pedaço da minha verdade, e as minhas verdades todas se mascaram de ficção.
Até que não sei afirmar muito bem o que é real e o que é mágico. Gosto de confundir os dois.
Boa noite.